Eu me lembro de que, quando era criança, durante os longos e gelados invernos do Norte, eu ficava na janela... Ficava com pena de mim mesma e passava o tempo na janela, esperando que alguma coisa acontecesse, esperando por algo mágico que, subitamente, me desse uma vida cheia de animação e de divertimento...

Eu me lembro de que, quando era criança, durante os longos e gelados invernos do Norte, eu ficava na janela durante o que me parece, em retrospecto, horas a fio. Eu ficava lá de pé, com um pensamento recorrente: "Isto aqui é tão maçante!" Ficava com pena de mim mesma e passava o tempo na janela, esperando que alguma coisa acontecesse, esperando por algo mágico que, subitamente, me desse uma vida cheia de animação e de divertimento.

Tenho visto este padrão se repetir, tanto em mim mesma quando em outras pessoas que me rodeiam. Talvez possamos chamar isto de complexo da bela adormecida/príncipe encantado. Consiste em esperar por algo ou por alguém que nos venha livrar da situação em que nos metemos. Nós até mesmo oramos "livrai-nos do mal"... mais uma vez esperando ser salvos de alguma encrenca em que nos tenhamos metido.

Olhe para sua vida e veja como este comportamento se aplica também a você. Você se pega lamentando-se de sua atual situação (emprego, relacionamentos, situação de vida, etc.) sem nada fazer a respeito? Você está esperando por uma fada madrinha que venha liberta-lo? Ou, possivelmente, que Deus (ou um cavaleiro andante) venha a galope num cavalo branco? Quando eu revejo a criança que fui, vejo que o meu problema não era o frio... era a minha atitude em relação a ele. Em vez de procurar maneiras criativas de passar o tempo, eu passava o tempo me queixando de algo que não podia mudar. Em vez de fazer algo que me ajudasse a desfrutar dos dias frios, eu os passava como se fosse incapaz de criar um dia melhor para mim mesma.

Parece que nós, humanos, temos a tendência a olhar em volta e atribuir aos outros a responsabilidade pelo que ocorre em nossas vidas. Em vez de assumir a responsabilidade pelo fato de as coisas não serem exatamente como queremos, parece que é mais fácil olhar em volta e encontrar um bode expiatório, que geralmente é alguém próximo a nós: colegas de trabalho, marido/mulher, namorado/namorada, vizinho, nossa família, etc.

Se temos problemas em casa ou no trabalho, a culpa é da outra pessoa. É fácil para nós dizer que estamos infelizes por causa do comportamento da outra pessoa (ou do tempo). Às vezes, até vamos mais longe, procurando a quem culpar. Olhamos para nosso passado e encontramos defeitos na nossa criação, nos nossos relacionamentos anteriores, na nossa religião, etc. É tudo culpa DELES!

O problema que existe neste enfoque é que, se sua situação é culpa de outras pessoas, então a solução tem que estar nas mãos delas. Ao passo que, se você assumir a responsabilidade por criar suas próprias "coisas", você terá, pelo menos, a opção de muda-las. É claro que, numa perspectiva metafísica, sabemos que só nós somos responsáveis... e mais ninguém. Ainda assim, de alguma maneira, quando nos encontramos nos "apertos" da nossa existência, às vezes deixamos de nos lembrar disto.

Nestas horas, muitas vezes recorremos à culpa. Se temos um problema com alguém, é porque ele/ela não está em sintonia... e não porque nós não temos compreensão, paciência e compaixão. Se o mundo nos trata com dureza, ‘os outros’ é que são encrenqueiros e negativos... nós não. Se nos acontece um acidente ou uma colisão (física ou emocional), não somos nós que temos culpa... claro que não! São ELES!

Quando nos enrolamos com nossas coisas, não tomamos conhecimento de nossas lições metafísicas e, convenientemente, nos esquecemos de que somos nós que criamos nossa própria realidade. Será que fazemos isto porque sabemos que, se admitirmos que somos responsáveis, teremos que olhar para nossa vida e ver quais as mudanças que precisamos fazer em nossos pensamentos, em nossas atitudes, em nossas expectativas, em nossos atos? Não há ninguém lá fora que possa levar a culpa! Somos nós que precisamos ficar de pé e dizer: "Eu criei isto! Eu sou o responsável!"

Somente, e tão somente, quando você admitir que é o único responsável por ter criado esta confusão é que você poderá muda-la. Como é que você pode mudar uma coisa com a qual não tem nada a ver? Admita sua responsabilidade! Você é a única pessoa que pode mudar sua própria vida. Ótimo! Agora, você pode fazer alguma coisa.

Comece por descobrir o que é que você espera que aconteça em sua vida. Não o que você quer, não o que você gostaria que acontecesse, mas o que você espera. É isto que conta, de fato. Se você pede para ganhar um milhão de dólares, você precisa acreditar que vai recebe-lo. Talvez você peça pela paz mundial, mas a menos que você realmente espere que ela aconteça, você não estará dando uma oportunidade à paz.

O que quer que seja que você esteja pedindo para sua vida, quer sejam posses materiais ou a paz na terra, se você não espera que se manifeste, você estará batendo na porta errada.

É impressionante o quanto aquela vozinha interna, o "São Tomé", pode impedir você receba. Uma parte de você acredita em todos os princípios metafísicos. Você repete fielmente suas afirmações. Você se esforça para pensar positivamente e para eliminar os pensamentos negativos. Você visualiza seus sonhos tornados realidade; ainda assim, se em algum lugar dentro de você, houver uma parte sua que não espera realmente que isto aconteça, você terá fraudado a si mesmo e tirado o sucesso de suas mãos.

Precisamos realmente ser o guardião de nossos pensamentos e de nossas crenças subconscientes. Precisamos tomar uma posição firme e dizer: "Eu sou o dono da minha vida. Eu decido o que acontece por aqui!" E depois, ficar constantemente em alerta para detectar aquelas respostas debilitantes que podem surgir de nossa mente consciente ou subconsciente. As crenças que nós adotamos são muitas. As programações que aceitamos são inúmeras. Ainda assim, estamos no comando de nosso corpo e de nossa mente. Precisamos ser claros a respeito daquilo que escolhemos ter e daquilo que aceitamos e esperamos em nossa vida.

Todos nós temos um aspecto criativo que mora dentro de nós e que se expressa como uma voz baixinha. Talvez, se não estivéssemos tão ocupados nos queixando e culpando os outros, poderíamos ouvir o que esta voz tem a nos dizer. Ela tem milhões de soluções divertidas e criativas para seja lá o que for que incomoda você. Fique na escuta!

por Marie T. Russell
Traduzido por Lúcia A. Maranhão

Artigo Original "Are You Waiting for Something?"
em www.innerself.com.


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