Alguns dos nossos medos são tão insignificantes, ou se manifestam tão raramente, que nós os ignoramos a maior parte do tempo. No entanto, todos os nossos medos estão constantemente conosco, quer reconheçamos sua presença ou não. Eles habitam o nosso inconsciente e devastam...

Alguns dos nossos medos são tão insignificantes, ou se manifestam tão raramente, que nós os ignoramos a maior parte do tempo. No entanto, todos os nossos medos estão constantemente conosco, quer reconheçamos sua presença ou não. Eles habitam o nosso inconsciente e devastam nossa vida. Não importa se o seu medo é da morte ou de baratas, este medo comanda sua vida.

Medos são como imãs. Atraem o objeto temido. Assim, se você tem medo de ser abandonado, vai atrair para si pessoas e situações com as quais você vai vivenciar a manifestação do seu medo – neste caso, o abandono. Como é que você se livra deste imã, ou o desativa? Primeiro você precisa reconhecer que o medo realmente existe em você. Parece fácil; ainda assim, em muitos casos podemos não ter consciência de certos medos.

Para entrar em contato com estes medos, pegue uma folha de papel em branco e escreva em cima: Uma coisa que me dá medo é... Depois, deixe sua mente livre e escreva tudo que lhe vier à mente. As coisas que passam por sua mente podem parecer tolas, mas têm validade para você; se não, você não teria pensado nelas. Os medos podem ser de objetos concretos, de pessoas, de eventos, de sentimentos, ou de situações imaginárias. Todos são válidos. Escreva tudo o que lhe vier à mente. Deixe o papel à vista durante alguns dias e dê uma olhada nele, de vez em quando. Acrescente qualquer outro medo que lhe vier à mente.

Se você ficar bloqueado, simplesmente repita: "Uma coisa que me dá medo é..." e deixe que sua mente preencha o resto. Continue repetindo isto até não se lembrar de mais nada para acrescentar – e aí "force-se" a encontrar mais três coisas. Nenhum tipo de medo é pequeno demais, nem maluco demais para ser incluído na sua lista. Só para lhe dar um exemplo: quando eu "me forcei" a encontrar mais três medos, um que apareceu foi o medo de ser queimada na fogueira. Você poderia pensar que este medo é totalmente irrelevante para a nossa era; mas será que é mesmo? Traduza seus medos para a linguagem moderna. Ser queimado na fogueira pode indicar um medo de ser banido do seu meio, ou de ser ridicularizado por suas crenças e opiniões.

Em seguida, releia sua lista e pergunte-se como estes medos afetam sua vida. Como é que estes medos sabotam suas atividades ou suas metas? Eles impedem que você tenha experiências felizes? Eles afetam suas atitudes para com as pessoas que fazem parte da sua vida? Tome consciência dos medos e de como eles influenciam suas ações diárias. Encare o fato de que você vem carregando estes medos como você. Pergunte-se quais sãos os medos que você está disposto a abandonar.

O próximo passo é perdoar-se por ter estes medos. É importante perceber que estes medos são apenas conseqüência de suas experiências passadas, do seu ambiente, das pessoas com quem você esteve em contato (até mesmo por meio de livros ou da TV). Você não tem culpa de ter estes medos. Às vezes, eles são "herdados" das pessoas que nos cercam e inconscientemente aceitos como sendo a Verdade.

Depois, pegue uma outra folha de papel e converta para afirmações positivas os medos que você escolheu abandonar. Por exemplo, se o seu medo é de ser abandonado, e você está afirmando "Não serei abandonado", você ainda está focalizando e reforçando o abandono. Em vez disso, afirme: "Estou seguro", "Sou amado", "Tudo o que eu faço e digo me traz amor e segurança". Se seu medo é de lugares escuros, afirme "A Luz e a Paz de Deus me envolvem constantemente". "Estou seguro". "Minha luz interior me guia e me protege constantemente".

É uma simples questão de reprogramar seu "computador mental". Ele foi programado com medos e dúvidas e você, agora, tem a opção de reprograma-lo para dirigir sua vida de maneira a atrair para você experiências de amor e de felicidade.

Outra coisa que você pode fazer é "sentir medo, mas ainda assim fazer" (com exceção das situações de risco de vida). Por exemplo, você pode ter medo de falar em público. Tudo bem. O que fazer? Matricule-se num curso que ensina a falar em público, pratique diante do espelho, imagine-se falando com sucesso diante de uma multidão e sendo aplaudido de pé e depois organize uma pequena apresentação para um grupo pequeno de pessoas.

Personalizar seu medo também ajuda. Em outras palavras, ficar amigo dele, conhece-lo, conversar com ele. Às vezes, o medo é ativado porque faz suposições erradas. Quando você conversa com ele, pode explicar a ele a totalidade da situação. Ajuda-lo a ver que, mesmo se um medo era válido quando você tinha cinco anos, agora que você está adulto as premissas são diferentes. Por exemplo, aos cinco anos você talvez tivesse medo de atravessar a rua sem segurar a mão de alguém. Como adulto, esta premissa não mais é válida, nem para suas ações, nem para sua inação.

Dê a seus medos um caráter e uma personalidade. O meu se parece (aos meus olhos internos) como um grande gato – um cruzamento entre um tigre, um gato e um personagem de desenho animado – como tigre da Texaco, se é que você se lembra dele. Este "tigre" e eu conversamos – discutimos quais são as coisas das quais é conveniente sentir medo e por que certos medos estão obsoletos e eu expresso minha gratidão a ele por me alertar para as ocasiões em que o medo é realmente conveniente.

Expresse sua gratidão a seu "guarda de segurança" por estar sempre de plantão para alertar você, quando situações de perigo se aproximam. Explique a ele que você não tem mais cinco anos, e que certas situações já não exigem mais respostas de medo. Dê a seu medo permissão para "ficar frio" e relaxar, enquanto permanece alerta (como fazem os gatos).

Fique amigo do seu companheiro "medo" e reconheça sua ajuda e discernimento. Peça a ele para avisa-lo de qualquer situação de risco de vida. Peça a ele para "se segurar" naquelas situações em que você precisa apenas de se esforçar e assumir riscos. Isto vai permitir que você viva uma vida mais "liberada". Na minha vida as coisas melhoraram imensamente depois que nós (meu medo e eu) passamos a entender que a rejeição e o abandono não mais representam risco de vida – o que acontecia quando eu tinha nove meses. Até mesmo o fracasso e o ridículo perderem a importância que tinham na infância, já que eles também não pertencem à categoria de situações de risco de vida. É preciso que você defina quais são as situações que não representam risco de vida e explique isto para seu novo companheiro "medo".

Quando nos impedimos de fazer alguma coisa por causa do medo, estamos permitindo que o medo controle nossa vida. É uma escolha que fazemos. Podemos também escolher pedir ao "medo" para que, mesmo estando alerta, não nos impeça de tomar as medidas que nos desafiam a crescer. Temos medo de muitas coisas simplesmente porque elas nos levam ao desconhecido, a áreas de experiência que são novas para nós. Podemos pedir ao nosso medo que nos deixe experimentar inovações na vida do dia a dia, que nos deixe vivenciar nossa entrada no desconhecido como uma experiência de alegria. Peça a ele que só lhe envie sinais de aviso quando você estiver realmente em perigo, ou tomando uma decisão que certamente irá causar-lhe dano.

Quando renegociamos quais serão as coisas que vamos considerar como sendo "situações de perigo" para nossa vida, recuperamos nosso poder de criar a vida que desejamos, em vez de abdicar de nosso poder em favor do medo. Quantas vezes você permitiu que seu medo lhe impedisse de dar um passo em direção a seu sonho? Quantas vezes você se recusou a participar de um projeto por causa do medo? Por quanto tempo mais você está disposto a deixar que o medo o controle e dirija sua vida?

Cedendo ao medo, também abdicamos de nosso poder e de nossa autonomia em relação aos eventos e às pessoas relacionados àquele medo. Ouça cuidadosamente este medo que está dentro de sua cabeça. Tem a voz da sua mãe? De seu pai? De sua professora do curso primário? Do seu padre ou pastor? De quem é este medo, na realidade? É válido para você nos dias de hoje? Faça sua escolha. Escolha a quem você quer dar poder na sua vida. Escolha quem vai mandar no seu show. Será o Fantasma dos Natais Passados ou serão as alegrias dos dias que estão por vir? Esta é a escolha que todos podemos fazer, a cada vez que somos confrontados pelo medo.

por Marie T. Russell
Traduzido por Lúcia A. Maranhão

Artigo Original "Are You Afraid of...?" em www.innerself.com.


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