|
|
Indiferença Divina --
A Arte de Observar com Desapego
por Marie T. Russell
Traduzido por Lúcia A.
Maranhão
No livro ‘Uma
Filosofia Espiritual para o Novo Mundo’, o autor, John Price, descreve os
requisitos básico para se atingir o estado mental de inocência. Uma das etapas
do processo é a Observação sem Apego – o observar com amor incondicional as
atividades do mundo ao nosso redor, "como se não fizéssemos parte do
mundo". Você presencia e observa, sem julgar nem rotular nada como bom ou
mau.
Agora, é claro que, desde que
li o livro, parece que passei a manifestar uma ocasião atrás da outra, na qual
pudesse praticar este comportamento recém descoberto. Apareceram situações
desafiantes e eu, algumas vezes, consegui permanecer desapegada e simplesmente
observar, ao passo que, em outras situações, parecia que eu era arrastada,
querendo ou não, para dentro de um tumulto.
Deixe-me contar-lhe uma destas
ocasiões que, em retrospecto, parece até engraçada... Pensando melhor, não
vou trazer de volta outra vez toda aquela energia negativa. Vou apenas contar
que me deixei arrastar, não, corrigindo, que pulei de cabeça numa situação
que me deixou furiosa. E só depois é que eu me dei conta! Opa! Eu tinha
esquecido a minha decisão de permanecer na divina indiferença e desapego.
Então, caí na minha antiga reação automática: "Fui uma idiota e errei
outra vez! Será que eu nunca vou aprender? Eu nunca consigo fazer nada direito!"
(Você conhece aquela cantilena interna em que entramos de vez em quando...)
Por sorte, meu Eu Superior se
comunica claramente comigo e interceptou rapidamente meus pensamentos de auto
punição com uma perspectiva mais elevada: "Hei, você fez uma bobagem
desta vez, mas está tudo bem. Encare este fato pelo que ele é, entenda a
mensagem e deixe ir!" Assim, depois de tomar algumas respirações
profundas e liberar conscientemente a raiva e o julgamento, tanto contra mim
mesma como contra a pessoa envolvida nesta interação, continuei o meu dia.
Não é de surpreender que eu
tenha logo manifestado uma outra situação na qual testar meu recém adquirido
comportamento (ou a lição a aprender) – o desapego. Mais tarde naquela noite,
apareceu outra situação para testar meu valor. Desta vez, as circunstâncias
eram completamente diferentes; não implicavam em raiva, ressentimento ou
impaciência. Chegou uma amiga que estava se sentindo "para baixo" e
bastante negativa com relação à vida. E o que foi que eu fiz? No meu desejo
de aliviar um pouco seu sofrimento, eu me conectei com algumas das emoções
dela e "contraí" algumas das suas vibrações. Embarquei diretamente
no "coitadinha de mim", junto com ela e fiquei lamentando o estado em
que ela se encontrava. Conseqüentemente, depois que ela foi embora, passei a
noite me sentindo "fora do eixo". Uma vez mais, eu não mantivera meu
papel de observadora, nem vira que a situação dela era apenas a escolha que
ela própria havia feito de um roteiro de filme. Em vez de permanecer como
observadora distanciada, eu passara a pÉ claro que não estou sugerindo que
temos que ser cruéis. É claro que, quando um amigo precisa de ajuda ou de um
ombro para chorar, temos que estar disponíveis para ele. O que estou dizendo é
que não precisamos nos deixar envolver nas ilusões nem na negatividade. Mesmo
que um amigo esteja vivendo um drama, podemos ajuda-lo e ama-lo sem ser
apanhados na armadilha. É um pouco como assistir a um filme... É possível
assistir a certos filmes, gostar, chorar, rir e, no fim, ir embora
despreocupados e seguir nosso caminho. Já outros filmes, parece que nos agarram,
nos arrastam para dentro do seu ambiente e saímos dali carregando as
vibrações e a energia que foram ativadas enquanto o assistíamos .
O mesmo acontece quando estamos
"assistindo" aos filmes (vidas) de nossos amigos. Podemos participar,
chorar, rir, mas conservar nossa perspectiva de desapego, sabendo que é "apenas
um filme". O papel que sua amiga escolheu desempenhar é apenas isto –
"escolha dela". Se ela escolheu representar a mártir, a esposa que
apanha do marido, a esposa abandonada... foi ela que escolheu permanecer naquele
filme... É preciso tomar consciência de que nós somos não apenas os atores
dos nossos melodramas, mas também os roteiristas e o diretor. Você não gosta
do seu filme? Ótimo! Re-escreva o roteiro, mude a direção... Se seu roteiro
original dizia: "Você vai viver com um homem que a espanca, até que você
aprenda a se amar o suficiente para seguir em frente", reduza a parte
melodramática (as surras) e siga em frente, para a parte que diz que você se
ama o suficiente para ir embora.
Os filmes de nossos amigos são
escolhidos por eles, exatamente como nossos filmes são escolhidos por nós. Se
você constantemente tem amigos que "consomem" suas energias, então a
culpa não é deles; a responsabilidade por deixar que isto aconteça é sua.
Mude o roteiro. Escreva seu próprio filme. Ame-se o bastante para mudar agora.
A idéia subjacente à
indiferença divina e desapego amoroso é estar sempre focalizado na Luz da
Compreensão Espiritual – qualquer que seja a aparência, permanecer firmes no
conhecimento de que todos somos seres Divinos e que tudo aquilo que pressentimos,
atraímos para nós. Quando permanecemos desapegados, não caímos na armadilha
da ilusão. Podemos permanecer focalizados no positivo, confiantes de que tudo
sempre contribui para o bem maior de todos os envolvidos... e tomar as medidas
necessárias para seguir em frente neste caminho.
Comentários dos Leitores
Artigo Original "Divine Indifference"
em www.innerself.com.
|
|